Não há uma definição universalmente aceita para mudança organizacional. Isso não deveria ser uma surpresa considerando a grande diversidade de mudanças que são experimentadas pelas organizações e pelos indivíduos.
Os padrões de mudança são universais. As transformações organizacionais sempre incluem mudanças físicas, políticas e emocionais. Os processos, o trabalho das pessoas e das próprias organizações são alterados de formas significativas.
Forças externas trazem novas pressões que devem ser suportadas. Uma nova visão do futuro da organização é criada. Novas prioridades são estabelecidas. Planos são feitos e pessoas são contratadas para realizar a mudança. Projetos são criados e times são formados para conduzir a mudança. Novos sistemas e comportamentos indispensáveis são introduzidos para substituir os velhos e obsoletos. Os sistemas existentes falham ao tentar suportar os novos processos e os colapsos se sucedem. As pessoas de início resistem mas, com o tempo, começam a se adaptar. Novas possibilidades começam a emergir. A visão é revista e melhorada.
Objetos físicos são movimentados e substituidos. Novas ferramentas e tecnologias são introduzidas. Equipamentos pouco usuais são instalados. Equipamentos obsoletos são retirados. Locais de trabalho são reformados para suportar novas maneiras de fazer negócio. Pessoas são transferidas. Alteram-se alianças e poder político. Departamentos e divisões operacionais são reestruturadas. Responsabilidades são redesignadas. Novas ligações entre pessoas são formadas e as antigas tornam-se obsoletas. As estruturas intangíveis das organizações também sofrem mudança. Na medida em que processos e procedimentos são revistos, a importância de certas competências, conhecimentos e experiências é alterada. Cargos são redefinidos, alguns aumentam de valor, outros declinam enquanto que outros são abolidos.
As pessoas reagem com uma variedade de emoções fortes, raramente vistas em uma operação normal. Na medida em que muitas rotinas e relacionamentos confortáveis são substituidos, as pessoas perdem seu equilíbrio. Muitos lutam para recuperar suas bases. Medo, raiva, tristeza e a excitação do risco começam a aflorar. Os fatores humanos tomam uma nova importância. Diferentes formas de suporte e motivação são necessárias.
Um rompimento ocorre assim que a energia investida na mudança cria uma força suficiente para superar a inércia da organização. A mudança avança, começando a ter vida própria. O otimismo ainda é abundante, até que surgem o caos e a confusão. A mudança move-se cada vez mais rápido, criando muitas surpresas. As pessoas ficam confusas e desorientadas. Tudo parece fora de controle, até que, ao final, depois de certo um tempo, as pessoas já estão aplicando as novas habilidades para realizar formas diferentes de trabalhar. Surpreendentemente todos começam a esquecer quanto as coisas mudaram e a estabilidade é restaurada.
Nada disto, entretanto, é aleatório. Existe uma lógica no caos de uma grande mudança. Entendendo os padrões da mudança e também as razões pelas quais ela ocorre desta forma, podemos suavizar a transformação, para cada pessoa e para a organização. Estamos acostumados a realizar adaptações pequenas e permanentes para acomodar mudanças incrementais. Quando pequenas ajustes são suficientes, não há necessidade de transformar radicalmente grandes sistemas.
Grandes transformações externas requerem dramáticas adaptações internas. Muitas mudanças não são incrementais. Mudanças rápidas e em larga escala no mundo forçam as organizações a realizar adaptações igualmente dramáticas, somente para preservar sua situação. Se uma organização está para realizar uma mudança abrupta e radical em sua estrutura e/ou sistemas, as pessoas da empresa precisam mudar a maneira de trabalhar, as formas de se relacionar e a maneira de pensar sobre seu trabalho.
Transformação é alguma coisa radical. Uma metodologia de mudança necessita trabalhar com mudanças transformacionais nas organizações, ao mesmo tempo que lida com fortes adaptações que as pessoas precisam realizar durante este processo.
A mudança começa a partir de fora. Esperamos que os líderes criem resultados para as organizações. Na medida em que os resultados são bons, eles são creditados, quando são ruins, nós os criticamos. Apesar dos líderes serem uma parte vital das organizações, eles não são tudo.
Organizações são sistemas. Cada parte do sistema precisa funcionar bem se elas querem prosperar. Cada parte influencia e afeta as outras partes, seguidores influenciam os líderes tanto quanto os líderes influenciam os seguidores. Isto é fácil de perceber em uma grande mudança, onde os indivíduos precisam fazer suas próprias escolhas antes da empresa poder transformar-se.
As pessoas precisam mudar para que as mudanças possam se estabelecer. Para transformar-se a empresa precisa chamar os funcionários para que mudem a si mesmos e na maneira de trabalhar. Muitos acreditam que é árduo para as pessoas mudarem. Outros crêem que as pessoas na verdade nunca mudam. As pessoas mudam. Apesar de não ser um processo sempre agradável para a maioria, é da nossa natureza mudar. Nossa vida adulta é uma história de mudanças pessoais. Mudamos de objetivos, mudamos nossas capacidades, mudamos nossos arredores e os lugares onde vivemos. A maioria das pessoas mudam de cargos, alguns mudam de cônjuges. Nós até mudamos nossas crenças e rearranjamos nossos valores.
As transformações das organizações são, na verdade, a consequência do somatório das mudanças individuais das pessoas. Isso significa que precisamos trocar alguns hábitos antigos e costumeiros por crenças e comportamentos novos e estranhos, criando sempre um desconforto, que as vezes chega até ao nivel da dor.
Quando a organização muda, os líderes precisam mudar seus próprios estilos e comportamentos para lidar com uma nova empresa. De fato muitos projetos corporativos de mudança falham e são abortados exatamente no momento que torna-se claro que os próprios líderes precisam mudar a si mesmos. Aqueles que são bem sucedidos na sua adaptação pessoal acabam trabalhando com novas competências e orientações em uma empresa que servirá melhor a seus clientes e se ajustará melhor às novas realidades externas.
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